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COMO DIALOGAR COM A CULTURA SEM NEGOCIAR PRINCÍPIOS

Cultura é o cultivo de hábitos, interesses, língua e vida artística de uma nação, ou seja, tudo o que caracteriza uma realidade social de um povo ou nação: valores, atitudes, crenças e costumes.

Nós como cristãos, não podemos viver descontextualizados e alienados à sociedade e ao tempo em que estamos inseridos, se faz necessário dialogar com a cultura por vários motivos. Primeiro porque Deus nos manda pregar o evangelho em todo o mundo, ou seja, em culturas diferentes (Mt 24:14; Sl 115:16); porque a fé vem pelo ouvir, e a cultura, por ser um tipo de linguagem, pode se tornar uma barreira entre as pessoas e o evangelho se não aprendermos a “conversar” corretamente com ela (Rm 10:17); porque temos exemplos disso na Bíblia (exemplo de Paulo em 1 Co 9:19-23); porque a cultura em si não é pecaminosa, mas sim a forma que podemos usá-la (Mt 15:11; Jo 17:15-17); e porque se ensinarmos os jovens a lidar com a cultura em suas nuances, em vez de dar uma lista de certos e errados para eles, criaremos cristãos com a habilidade de não apenas saber como lidar com o que os cercar em qualquer época de suas vidas, mas também de serem capazes de estender o reino de Deus na própria sociedade.

Mas para dialogar com a cultura são necessários alguns cuidados para não quebrarmos os princípios de Deus, e perdermos o principal objetivo disso, que é possibilitar que o evangelho seja pregado de forma compreensiva às pessoas. Sendo assim, existem 3 formas, ou como chamamos, 3 R’s, de como você pode interagir com a cultura:

O primeiro R é de “Receber”. Assim como Daniel recebeu um novo nome quando foi feito escravo em outro povo, assim como Jesus seguia o regime político de sua época, existem elementos culturais que podemos aceitar em nossas vidas sem nenhum problema, exatamente da forma que eles se apresentam, pois não infringem nenhum princípio Bíblico.

O segundo R é de “Rejeitar”. Assim como Jesus conversa com a mulher samaritana, e como Daniel não deixa de orar à Deus mesmo sendo proibido, existem elementos culturais que ferem princípios bíblicos e precisamos ser radicais e rejeitá-los como algo que não combina com nossa vida redimida.

O terceiro R é de “Redimir”. Existem alguns elementos da cultura que não estão completamente fora do que aceitamos, mas também não estão 100% de acordo com o que podemos usufruir. Nesses casos, nós podemos redimir a cultura, que seria basicamente pegá-la como ela é e adaptá-la para uma realidade condizente com nossos princípios.

Para podermos fazer isso de forma correta nas nossas igrejas, precisamos pensar em algumas coisas:

A primeira coisa é avaliar se esta mudança fere algum princípio bíblico. Princípios bíblicos são verdades absolutas que encontramos presentes em versículos ao longo de toda a Palavra e que norteiam os homens ao longo de todas as épocas.

Paulo, por exemplo, se contextualizava com o público que o estava ouvindo, mas não negociava os princípios de Deus, ele diz: “não estando sem lei para com Deus, mas debaixo da lei de Cristo” (1Co 9:19-23).

Precisamos pensar também se nossa igreja local está pronta para receber esta mudança. A igreja é lugar de diversidade, o que torna muito desafiador trazer mudanças para um lugar com tantas gerações e culturas diferentes. É necessário ter uma visão clara da realidade do grupo onde estou querendo trazer mudanças, e para que os benefícios de tal transformação não tenham o resultado inverso de seu objetivo, precisamos então, em vez de forçar uma ideia a qualquer custo, começar a preparar esse grupo para que consigam abraçar essas mudanças e serem beneficiados com isso.

Outra análise importante a se fazer é: porque eu, como líder, quero realizar essa mudança?

Esse processo é fruto de algo que Deus deseja ou é só para que o meu ministério tenha sucesso?

É uma mudança para contribuir com a igreja, com o crescimento do povo e com a facilitação da linguagem? Ou é porque está na moda, ou porque eu quero trazer algo do meu velho eu que eu gostava tanto, encorpá-lo com uma capa gospel, pra poder continuar usufruindo daquilo?

Lembremos que Deus olha nossas intenções (Jr 17:9-10). Uma obra pode ser boa, mas se sua intenção fere princípios bíblicos, você já está fora da vontade de Deus, e a motivação por mudanças não deve ser baseada nisso.

Lembremos também que somos novas criaturas e existem coisas que não podemos continuar fazendo, da mesma forma que existem símbolos cristãos que não podem ser alterados (Cl 1:13; Ef 4:22-24). Jesus pagou um alto preço na cruz para nos dar uma nova vida. Existem coisas que não combinam mais com nossa vida regenerada, existem coisas que nos atrapalham de termos mais intimidade com Deus, e existem coisas que podem escandalizar os novos na fé. Precisamos pedir a Deus para sondar nossos corações e nos mostrar se essas práticas que estamos tendo são boas, ou se são pedaços de lixo que continuamos carregando mesmo depois que Jesus jogou tudo fora.

E lembremos que somos seres que gostam de fazer ídolos. É muito fácil perder o foco do porquê dialogar com a cultura e começar a humanizar a igreja, a ponto de passamos a amar mais as inovações e contextualizações do que a própria palavra de Deus.

É importante lembrar que Paulo se contextualiza, mas isso geralmente significa ficar numa posição de mais desconforto do que de conforto, Paulo adotava uma postura servil para com os não crentes.

A liberdade de poder redimir a cultura é maravilhosa, e podemos chegar em muitos lugares com isso, porém, essa ação poderá trazer más consequências se a igreja não tiver uma coisa: líderes dedicados.

Entenda, quando começamos a dialogar com a cultura, muitas questões e dúvidas são levantadas: é por aqui mesmo que devemos agir? Isso está certo? Isso quebra princípios? Etc.

É muito mais confortável ter uma igreja engessada com padrões utilizados há anos, onde não é preciso pensar nessas nuances. Agora, criar um novo ambiente, gera espaço para erros e mudar formatos na igreja para dialogar com a cultura, pode acabar ferindo um princípio bíblico, e para que isso não aconteça, é essencial termos líderes que sejam dedicados a estudar a Bíblia e que andem junto de suas ovelhas.

Só um líder que investe tempo na Bíblia aprendendo de Deus será capaz de identificar os princípios por detrás das ações e decidir o que deve ser transformado e como, e só um líder que investe tempo na vida de suas ovelhas, consegue corrigir os passos dados em falso e ensiná-las como crescer com essas experiências.

Por isso, continue trabalhando para ter uma igreja saudável, que dialoga com a cultura pregando o evangelho, sempre com a humildade de colocar tudo em oração para que tudo o que for feito, seja feito para a glória de Deus.

 

Máyra Gonzalez e Felipe Kido

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