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TÃO DIFERENTE E TÃO IGUAL...

A maior luta de um adolescente é buscar a sua identidade. Quem eu sou, o que eu gosto, o que penso. Quando sai da infância e começa a perceber o mundo ao seu redor e se vê na responsabilidade de formar sua própria opinião.  E essa é formada a partir das suas experiências, dos valores familiares e novos conceitos que ele vai aprendendo na sua caminhada. Por esse motivo é muito importante que os valores bíblicos, muito mais do que ensinados, sejam vividos dentro de casa.

Peço licença para trazer a letra da música “Quase Sem Querer”, do Renato Russo que expressa essa confusão da formação de identidade e caráter de um adolescente. Vamos analisar por trechos:

Tenho andado distraído

Impaciente e indeciso

E ainda estou confuso, só que agora é diferente

Estou tão tranquilo e tão contente

 

Esse turbilhão de emoções e hormônios trazem novos comportamentos para o adolescente. Realmente ele se torna mais distraído e desastrado. Mais dorminhoco e preguiçoso. É uma fase de muita confusão: mau humor e momentos de muito entusiasmo e euforia. São extremos, que podem trazer dificuldade aos pais de compreendê-los e aceitá-los nessa fase.

Quantas chances desperdicei

Quando o que eu mais queria

Era provar pra todo o mundo

Que eu não precisava provar nada pra ninguém

 

Essa pressão de ter opinião formada sobre as coisas faz com que o adolescente sinta a necessidade de provar que está crescidinho. É uma fase de muita insegurança, mas não querem demonstrar essa fragilidade. Então passam a imagem de fortes e não querem ouvir a opinião de ninguém e que sabem o que querem. Mas esse processo traz um desgaste…

Me fiz em mil pedaços pra você juntar

E queria sempre achar explicação pro que eu sentia

Como um anjo caído, fiz questão de esquecer

Que mentir pra si mesmo é sempre a pior mentira

Mas não sou mais

Tão criança

Oh, oh

A ponto de saber tudo

 

Se nós pais estamos tentando entendê-los, eles também estão tentando se conhecer e achar explicação para esse turbilhão que sentem. A maior luta deles é serem autênticos em uma fase de muita cobrança para atingir altos padrões da sociedade, seja de beleza, escolha de carreira e namoro. Ter que representar ser adulto quando ainda se está saindo da infância é um fardo e tanto. Afinal não são mais crianças também…

Já não me preocupo se eu não sei por que

Às vezes o que eu vejo quase ninguém vê

E eu sei que você sabe quase sem querer

Que eu vejo o mesmo que você

 

À medida que vão chegando mais perto da vida adulta, vão permitindo a identificação com os pais. Os valores da família então vão sedimentando. E o sentimento de pertencimento fica agora mais forte e ele pode então assumir que, apesar de ter lutado para ser totalmente diferente, no final, ele tem muito em comum com seus pais.

Essa transição faz parte da adolescência. Por esse motivo, nós pais, precisamos estar atentos às mudanças e aos conflitos internos que eles vivenciam. O diálogo sincero e que vai abaixo da superfície que vemos, é muito importante.  Atrás de todo comportamento sempre tem uma mensagem. Estamos sensíveis às mensagens que nossos filhos estão nos transmitindo? Precisamos cuidar com o excesso de cobrança, mas acolher com amor e sabedoria vinda do Alto. Precisamos ouvir além das palavras, como continua a música:

Sei que às vezes uso palavras repetidas

Mas quais são as palavras que nunca são ditas?

 

Encerro deixando esta pergunta sobre seu filho: Quais são as palavras que nunca são ditas? O que ele está querendo dizer, mas não diz com palavras? Te desafio a conhecer mais, conversar mais e descobrir. Que você possa ajudar seu filho a passar pela adolescência, levando a ele a imagem de um Deus que se importa e que  o ama. Que não espera dele uma perfeição e que pode ser ele mesmo. Que não precisa acertar sempre. Que a família possa junta, encontrar alento no Senhor, que é o nosso refúgio em meio à tempestade.

“Deus é o nosso refúgio e a nossa fortaleza, auxílio sempre presente na adversidade.” (Salmos 46:1)

 

Viviane Bley , Psicanalista Especialista em Casais e Família
Mãe de 3 filhos com 12, 14 e 16 anos.

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